quarta-feira, 5 de junho de 2013

Psicanálise e Direito de Família.






Por Sérgio Costa
O que se vê, na maioria das vezes, nas causas de família, em especial nos casos de ‘separação/divórcio’ são duas pessoas se agredindo, se ferindo, desrespeitando uma a outra. A partilha dos bens, a guarda dos filhos, uma verdadeira batalha jurídica e judicial, com cada parte querendo levar mais vantagem.
Tanto o pai quanto a mãe, na verdade, ‘usam’ os filhos para agredir o outro genitor.
Não se lembram que, com tais atitudes, podem causar nos filhos, de qualquer
idade, recalques de difíceis e até impossíveis reparações.
Os progenitores, vítimas do avanço da causa feminista, perdem a afeição dos seus filhos pela ação conjugada das mães emancipadas e dos juízes impregnados de estereótipos ultrapassados. Assim, o destino desses pais é infeliz, pois foram ejetados, desestabilizados, desvalorizados, sob efeitos nefastos de sua exclusão da tríade parental sobre o desenvolvimento dos filhos.
O resultado do afastamento da figura paterna, do representante das leis na estrutura familiar:- filhos "perdidos", drogaditos e entregues à marginalidade.
Cumpre ressaltar, que todos nós, profissionais do Direito, que militamos amiúde na área de família, podemos sim, e muito, contribuir para uma melhor solução das ações familiares, desde que aliados à Psicanálise, considerando que somos seres de desejo, e este não é legislável. Além do que, todas as relações são regidas, também, pelo inconscientes. Dessa forma, pra efetivarmos a lei e ‘afetivarmos’ o desejo, nosso trabalho deverá buscar sempre o interesse dos seres humanos, dotados de sentimentos e emoções, e uma equilibrada convivência futura da família, após a separação/divórcio. Essas medidas têm que envolver os poderes constituídos, especialmente a justiça e os profissionais que nela atuam.
Que a separação conjugal possa dar lugar a uma vontade vital de renascimento e uma nova aliança entre os amantes desunidos. Tudo isto em prol dos pais excluídos, nos interesses de mães abandonadas, mas acima de tudo no real interesse dos filhos ‘fragmentados’."
Além do exposto , acrescentaríamos que não podemos esquecer que a família sempre existiu.
O que muda é a sua constituição, num conceito mais amplo. É preciso entendê- la acima da história:
1. Hoje a família está diferente. Isso se deve a busca pelo espaço de liberdade
2. Os vínculos familiais não fogem da natureza humana: amamos e odiamos;
3. As relações familiares são complexas e sujeitas as normas afetivas, sociais e jurídicas e, ainda, a elementos inconscientes.
           Segundo Dr Walter Soares Oliveira, advogado, especialista em Direito de Família relata sobre as consequências afetivas proporcionadas pelo "Direito Disciplinador", nos indivíduos envolvidos em processo de separação/divórcio:
"Gostaria de ressaltar que o Direito não disciplina o comportamento humano, mas sim normatiza as consequências do comportamento humano no que tange às suas relações sociais, e cuida de dirimir as controvérsias de interesses (quase sempre antagônicos) decorrentes do comportamento e das relações dos cidadãos.
As consequências emocionais e afetivas têm uma diversidade muito grande, variando seus reflexos de pessoa para pessoa. Em geral o rompimento de uma relação conjugal é precedida de uma perda expressiva de energia, pois o clima tenso de uma relação em fase terminal provoca grandes tensões e inseguranças.
Esta perda de energia costuma ter longa duração porque ela acompanha todo o processo, ou seja, desde quando uma relação começa a se deteriorar até o dia que se põe fim ao problema pelas vias judiciais, demora muito, porque costuma, via de regra, ocorrer uma longa espera e as pessoas não tomam a providência necessária com brevidade, eis que há sempre uma esperança de normalizar a relação e há também o fator "sentimento de culpa" que envolve as partes, o que faz com que eles retardem uma tomada de posição mais incisiva.
Neste momento as pessoas têm uma tendência a serem tomadas por sentimentos, ações e reações passionais, tornando a questão muito melindrosa e, enfrentar os fatos e a realidade de frente é sempre bastante desagradável; por isto as pessoas têm também uma tendência a se acomodar, deixando os acontecimentos irem determinando as providências, o que acaba gerando muita ansiedade, agressividade (ou o contrário, a pessoa fica passiva e desmotivada), gerando, de qualquer forma, um sofrimento continuado. É como o autoflagelo.
Os adiamentos se devem, principalmente, ao sentimento de perda, de medo e de insegurança. Perda de status, de patrimônio, porto, convívio; Medo de assumir a sua dificuldade, o seu erro, de recomeçar, dentre outras.
Neste processo de espera e de adiamentos, afora os danos causados ao casal propriamente, os efeitos nos filhos também são bastante danosos. Assim, procuramos sempre recomendar ao casal o diálogo racional, estimulando-os através da percepção dos efeitos positivos que isto poderá trazer, ou seja, a reconciliação ou a decisão definitiva da separação.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Luto e Melancolia


Por Sergio Costa.
Farei uma breve análise comparativa das instâncias psíquicas que se relacionam entre si, estabelecendo, portanto, as características fundamentais relacionadas ao luto e a melancolia num processo de perda diante do objeto amado. Entendemos como luto a elaboração do ego frente a uma perda real; ou seja, o teste da realidade que provará a ausência do objeto amado, passando a exigir que toda a libido seja retirada de suas pulsões originárias. O ego precisará fazer um desinvestimento libidinal e, paulatinamente, apagar as lembranças do objeto amado, sem antes percorrer o processo de sofrimento inerente à existência humana.
 A dor terá que ser digerida aos poucos para que possivelmente toda a energia catexial seja desintegrada do seu self e reinvestida em outros objetos. O conflito entre a realidade e as lembranças, será de fato inexorável, todavia, necessário à elaboração da perda.  Entende-se por luto não apenas eventos dolorosos relativos à morte. Luto seria todo o processo de separação dolorosa entre o sujeito e o objeto idealizado.Contextualizando luto e melancolia, em que a melancolia pode ser definida como depressão, gostaria de salientar que no luto não há identificação ao objeto perdido. A melancolia (Depressão) constitui-se por meio do seu auto-envilecimento, ou seja, a autopunição do ego frente ao objeto amado. Inicialmente, a culpa e o ódio estão direcionados ao objeto perdido, porém, ao perceber que o objeto amado é inexistente, passa a introjetar as respectivas  libidos destrutivas. (Na depressão, o amor e ódio estão concomitantemente relacionados). 
 O ego sente-se extremamente culpado pelo ocorrido diante das pressões do gerador de culpa. Na depressão, o ego identifica-se como o objeto perdido por conta das pressões punitivas do ideal do ego. Estabelece-se uma relação cordial entre o ego e o ideal do ego. O ego tenta provar ao ideal do ego que o objeto não foi perdido, afirmando-se como o próprio objeto. O ego acaba identificando-se com o objeto perdido por não mais suportar as pressões do ideal do ego que lhe impinge culpa pelo acontecimento. Não obstante, ao perceber que o ego está sob seu domínio, exige que o mesmo seja desintegrado e fadado ao destino do objeto amado: a morte. Ao recusar-se à morte, o ego acumula energia e passa a enfrentar as punições severas do ideal do ego e, doravante, entra em estado de elação (exaltação) por não mais tolerar o seu próprio definhamento. Entrementes, a altivez do ego torna-se passageira frente à irredutibilidade do ideal do ego que o pressiona diante da identificação por ele (Ego) anteriormente afirmada. Identificação: torna-se igual a (…). Em linhas gerais, concluo pontuando o conflito cujo ego estará “eternamente” fadado.


A relação Indivíduo-Lider é um jogo de Espelho.

Por Profº Sérgio Costa.


Não queremos banalizar a estrutura psíquica do homem, nem tão pouco a descrição do "meio", que por sua irracionalidade seria o principal fator etiológico da neurose. No fundo, filiado ao determinismo que repousa sobre o indivíduo ingênuo, por um lado, e a sociedade do outro, que o influencia de formas e graus variados, ignorando que o indivíduo é, em si, um produto social, assim como ignora o próprio conflito indivíduo-sociedade.
Quanto mais profundamente a Psicanálise sonda as zonas inconscientes do sujeito analítico, mais, nós psicanalistas, nos assustamos quando percebemos como os mecanismos sociais produziram a individualidade. Sob um manto de culpa que o encobre, esse sujeito se traduz em sintomas obsessivos que, aliás, o Estado estimula, mas em contrapartida, não consegue manter uma boa política de saúde mental, para aplacá-los, contribuindo assim para o caos em que vivemos.
Concluímos que quanto maior a aplicação de categorias sociológicas e psicológicas, mais superficial se torna a interação entre o psiquismo e o social. A estrutura contraditória da sociedade é vista em termos moralistas. A concorrência aparece como o princípio dominante da esfera social, e dela derivam os conflitos psíquicos. Segundo H.Horney o narcisista se caracteriza por uma sobrevalorização do ego, por uma espécie de inflação psíquica que, como a inflação econômica, oferece valores superiores aos que de fato existem.
E é aqui que se encontram os destinos do desejo: numa direção marcadamente exibicionista e autocentrada, que tem como contrapartida o esvaziamento do intersubjetivo e o desinvestimento nas trocas inter-humanas. Esse é o trágico cenário para a implosão e a explosão da violência que marcam a atualidade.
No que se refere aos fundamentos de uma sociedade de espetáculos, no seu bojo narcísico, o individualismo e o autocentramento atingiram seu ponto máximo, com o consequente apagamento da alteridade e da intersubjetividade ao lado de um enaltecimento exacerbado de si mesmo.
A identificação da massa com o líder é obtida através da técnica de identificação, mesmo que parcialmente, do líder com a massa. A idealização é uma forma de narcisismo: o objeto idealizado é parte do próprio sujeito e, amá-lo significa amar-se a si mesmo. A relação entre a massa e o seu pai totêmico segue o mesmo padrão.
A relação indivíduo-líder é assim como um jogo de espelhos: não se sabe o que é real e o que é reflexo. E a identificação do indivíduo com o líder, que se torna pai totêmico, parece representar a outra face da identificação do líder com o indivíduo.
A indústria cultural põe a arte a serviço da vida, e isso implica o estímulo da capacidade criativa. Sua poética tende não somente à imitação do real, mas à fusão com o real.
E o que tem sido estimulado, nos últimos tempos, é a pulsão de morte, repressão e recalque como expressão da vida; é cada um pra si e por si; só se estimula "eu para eu mesmo"; o narcisismo acima de tudo; "eu posso tudo", "eu sou o máximo" Na cultura do narcisismo e na sociedade do espetáculo, a fragmentação da subjetividade pelo paradoxo entre autocentramento e exterioridade, ocupa posição fundamental. Trata-se de uma nova forma de subjetivação, por meio da qual são forjadas outras modalidades na atualidade, o que constitui o fundamento da atual psicopatologia.
A psicopatologia da pós-modernidade define-se, justamente, pelo fracasso de muitos sujeitos deprimidos, toxicômanos e panicados, em realizar a glorificação do eu e a estetização da existência. Essas patologias têm recebido maciço investimento financeiro de grandes laboratórios farmacêuticos internacionais, para a realização de pesquisas, predominantemente, de ordem biológica e psicofarmacológica. Deixa de olhar o mundo dos objetos, os sentidos humanos e suas implicações.Freud descreveu com o nome de "Wiederholungrzway" a compulsão de repetição: o processo incoercível pelo qual o sujeito repete, interminavelmente, experiências passadas sem se recordar do protótipo, com a impressão de que percebe e age de acordo com elementos da situação presente.
ALGUNS INFORMES SOBRE NEUROCIÊNCIAS
por Profº Sérgio Costa.


As últimas considerações representam os estudos introdutórios ao campo das neurociências que, cada vez mais, estão ganhando uma crescente importância na Psicanálise em geral e nos fenômenos psicossomáticos, em particular. As neurociências demonstram como as emoções se desenvolveram para aumentar a sobrevivência e garantir a existência da espécie – em qualquer espécie animal - por propiciar e organizar soluções mais adaptativas aos problemas inerentes aos seres vivos, tal como é a busca de uma homeostasia corporal, a necessidade de alimentos e demais demandas pulsionais, a fuga de perigos, a reprodução, os cuidados com a prole e as relações sociais.
Deste modo, as neurociências objetivam iluminar os circuitos cerebrais das emoções, assim comprovando o fato de que, por vias neuronais, através de partes do cérebro como tálamo, amígdala (funciona em nível subcortical, com respostas rápidas, curtas, em bloco), hipocampo (funciona em nível cortical, com respostas mais lentas e longas, porque ele registra a “memória do perigo”, o que lhe possibilita, pelo “medo”, a prevenção em espaços e circunstâncias delimitadas, de maneira que, nos casos de lesão do hipocampo, o medo se generaliza), córtex ocipital (mais destinada a reações impulsivas contra os supostos perigos) e córtex pré-frontal (responsável pela atenção dirigida e pela tomada de decisões, com uma escolha de respostas adequadas, baseadas em experiências prévias), juntamente com a secreção de serotoninas, cortisol, entre outras, determinarão respostas corporais que são hormonais, viscerais e da musculatura esquelética.
Por exemplo, um determinado estresse provocará uma excessiva excitação do sistema nervoso autônomo e, através do eixo hipotálamo-hipófise-supra-renal, este último elevará o nível de cortisol, o qual, por sua vez, promove prejuízos tanto no sistema imunológico (determinando quadros de cólon irritável, asma, úlcera...) quanto no sistema cognitivo (promovendo uma diminuição da memória, concentração, capacidade para pensar, agir com coerência, uma certa confusão e dificuldade de usar as outras pessoas que, normalmente, por intermédio da função de “reconhecimento”, exercem o papel de auto-reguladores das emoções). A ausência dessa última condição favorece o surgimento de uma “alexitimia”, ou seja, de uma incapacidade para ler as emoções, enquanto o pensamento adquire uma natureza operatória, pois as fantasias, fazendo um curto-circuito, em vez de ficarem conscientes, drenam através do corpo, assim alimentando um círculo vicioso.

Ainda dentro do campo das investigações que cercam as inter-relações entre os processos mentais e os orgânicos, impõem-se mencionar duas importantes fontes: uma é a provinda dos estudos dos norte-americanos Sifneos e Nemiah, que introduziram a noção da alexitimia, antes mencionada. Conforme designa a etimologia dessa palavra, que deriva dos étimos a (quer dizer: “privação de”) + lex (leitura) + timos (glândula que era considerada a responsável pelo humor), o conceito de alexitimia alude à dificuldade de os pacientes somatizadores conseguirem “ler” as suas emoções e, por isso, elas se expressam pelo corpo, assim caracterizando uma dificuldade neurobiológica de simbolização. A segunda fonte procede da Escola de Psicossomática de Paris, que aportou o conceito de pensamento operatório, ou seja, o somatizador tem dificuldades de fantasiar, de sorte que o ego não consegue processar, elaborar e representar as pulsões, do que resulta que ele superlibidinizar o corpo de forma concreta.

As competências pessoais

http://issuu.com/neppbh/docs/psicanalise___empresarial

Revista do NEPP







Por Sérgio Costa


As competências pessoais representadas pelo autoconhecimento: as emoções, os pontos fortes e fracos e a  autoconfiança; pelo autogerenciamento: o autocontrole, a integridade, a responsabilidade, a adaptabilidade, a criatividade e a inovação; e pela motivação: a força, o envolvimento, o comprometimento, a iniciativa e o otimismo, constituem fatores que devem sempre ser conhecidos e perseguidos pelas pessoas para fins de desenvolvimento. 






Pacientes Somatizadores

Quando o sofrimento não pode expressar-se pelo pranto,
Ele faz chorarem os outros órgãos.
W. Motsloy 

Se você pensa positivamente, o seu sistema imunológico

também responde positivamente.

CONCEITUAÇÃO

Sempre houve uma tendência – tanto no campo da filosofia quanto no da primitiva ciência médica – de separar o corpo da mente. Mais especificamente no que se refere à Psicanálise, ainda hoje muitos se perguntam se a doença psicossomática é um campo de saber à parte dos princípios psicanalíticos ou se estes últimos representam uma extensão, um desenvolvimento e um novo campo mais abrangente da Psicanálise, assim facilitando a compreensão e o manejo dos pacientes somatizadores. O fato incontestável é que os psicanalistas têm sido os grandes fomentadores do movimento psicossomático, logo, de uma medicina integrada, holística e de uma visão humanística da existência.
O termo “psico-somático” (tal como está grafado, com um hífen nitidamente separador entre psique e soma) apareceu pela primeira vez na literatura médica há aproximadamente 200 anos, em um texto de Heinroth, clínico e psiquiatra alemão, no qual o autor buscava adjetivar uma forma particular de insônia. Essa concepção pioneira foi fortemente atacada por grande parte do conservadorismo científico da época, enquanto algumas outras vozes tímidas apontavam para aquela concepção integradora. Um dos seguidores desta linha de pensamento médico foi William Motsloy, que há mais de 100 anos, em Fisiologia da mente, demonstrando um alto grau de intuição, escreveu que quando o sofrimento não pode expressar-se pelo pranto, ele faz chorarem os outros órgãos. A partir do final da década de 40, o termo “psicossomático” passou a ser empregado como substantivo, para designar, no campo da medicina, a decisiva influência dos fatores psicológicos na determinação das doenças orgânicas, já admitindo uma inseparabilidade entre elas.
Aliás, ninguém mais contesta a inequívoca interação entre o psiquismo determinando alterações somáticas e vice-versa, o que permitiria a ilustração com exemplos clínicos que vão desde os mais simples (a corriqueira evidência de estados de raiva ou medo produzindo palidez e taquicardia; vergonha levando a um enrubescimento; um estado gripal desencadeando uma reação depressiva e, reciprocamente, um estado depressivo facilitando o surgimento de uma gripe, dentre outras.), passando por situações relativamente complexas. 
Por Sérgio Costa.